PAI NOSSO
O pai acreditava em Deus
e também em si próprio.
Sabia do que era capaz
e não hesitava em dar o passo adiante
quando a vida pedia.
Sutil, criava vetores
que os filhos não percebiam.
Jamais levou a descrer
de seu farol de pai.
Imprevistos, quando ruins, atribuía-se
a Deus, senhor oculto da noite
e também da parte invisível
do dia. Ser feliz
cabia melhor nos domingos
e, às vezes, nos olhos fechados.
Ninguém, que se soubesse, esperava mais.